quarta-feira, abril 13

O DESVARIO DO MOMENTO POLITICO


O DESVARIO DO MOMENTO POLITICO

09/04/11

“Defende-te Alcaide!” (Alcaide de Faria, a seu filho, antes De ser trespassado pelas lanças Castelhanas)


O desvario que grassa na classe política portuguesa no momento político actual, é bem ilustrado pelas declarações do Sr. Ministro das Finanças (MF), no dia de hoje (9/4), em Buda – este. Disse ele que o governo não tem que discutir e tentar obter consensos partidários para garantir o pedido de empréstimo que agora fez, ainda não se sabe exactamente a quem e em que termos (foi à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu, ao FMI, a mais que um, a todos?). Disse, ainda, o ministro: que a Comissão Europeia é que teria que negociar com os partidos portugueses (não especificando se um a um, se à molhada), esse compromisso partidário! O Dr. Teixeira dos Santos ou teve uma branca, ou um “lapsus lingue”, ou está nitidamente cansado física e psicologicamente – como aparenta – e necessita urgentemente de descanso e de alguma piedade politica (coisa que, aliás, não existe). Infelizmente isto é o que pode acontecer a pessoas tidas como honestas e competentes, que dão em colaborar com malabarismos e malabaristas políticos. Ficam presos a uma cacofonia discursiva prisioneira do seu labirinto e a lealdades espúrias e mal escolhidas. Há muito que o MF deve estar arrependido do buraco onde se meteu e se deixou meter mas, agora, só o tempo o irá libertar. Depois de mais de 30 anos a viver-se à tripa forra, gastando o que não se tinha, vivendo acima das possibilidades e da riqueza que produzíamos; engalanados em “direitos”universais e irreversíveis, num desbragamento e inconsciência que não lembraria a uma colónia de cigarras; cerrando os olhos e os ouvidos a qualquer conceito de prudência, de trabalho e de poupança, desregrando Princípios e fugindo aos deveres, toda a classe político/partidária e os órgãos de soberania dedicaram-se, quase em exclusividade, à luta político – demagógica de captar votos e simpatias, para se manterem ou alcançarem o poder. Mentiram e ocultaram, descaradamente, todos, sobre todas as dificuldades, desafios, consequências de decisões, etc., incluindo a realidade económico/financeira do pais, embrenharam-se de tal modo nisto que se esqueceram de governar… As poucas vozes piedosas que alertaram para a real situação, foram poucas e, de um modo geral, suaves e pouco firmes. A comunicação social foi na onda e as denúncias de escândalos (e já se perderam a conta), não colheram quaisquer consequências. O que representa a prova provada de que a Liberdade de informação, só por si, serve para muito pouco… Com o deflagrar da crise internacional, sobretudo a partir de 2008, a fuga para a frente, a auto - desculpabilização e a tentativas de responsabilizar só os outros e a falta de autoridade/vontade/capacidade para ter acções políticas corajosas e de fundo, levaram à situação actual. O percurso é conhecido e pode facilmente ser adaptado a guião de um filme de terror. Ora estes políticos, de agora em diante designados por papagaios, depois de, pelo seu baixo e incompetente comportamento terem humilhado a Nação, desqualificado o Estado e de nos porem a todos nós, ajoelhados de mão estendida a mendigar uma esmola, que ninguém sabe quando, como, e se vai conseguir pagar, ainda têm o desplante e a impudendícia, de não se quererem entender para ao menos falarem a uma voz perante o estrangeiro credor! E, para além deste comportamento lamentável, ainda se empurram mutuamente para ver quem vai fazer o quê, com quem! Como é que perante tudo isto, uma alma de Cristo, não peca por pensamentos, palavras e obras? Quem pode respeitar tal gente? O Parlamento fechou mas isso não é impeditivo das direcções dos partidos se encontrarem; o PR (que aparentemente desapareceu), sempre vai dizendo que não tem poderes, não tem poderes? Olhe desenrasque-se e faça algo em fez de se limitar a frases pias “o momento é muito difícil”, “temos que deixar as querelas”, “temos que nos unir”, que não resultam em nada e já ninguém as ouve, isto é, ouviram em Bruxelas e logo uns diligentes funcionários vieram dizer, pouco diplomaticamente, que estavam fartos de nos aturar…O senhor não sentiu vergonha? Já não lhe tinha chegado o remoque do presidente Checo? O PR diz que os partidos têm que se enten0000000015345498 0000000015345498 der, os partidos replicam que o PR tem que intervir (embora não explicitem como), etc, e agora vem o Dr. Teixeira dos Santos com a tirada – que ficará na história da inépcia política – defendendo que a Comissão Europeia é que se tem que entender com os partidos da oposição?! Apesar do desvario e do ridículo a frase (apesar de ter sido corrigida pelo Primeiro Ministro), requer mais um comentário, pela simples razão de que é muito perigosa. É perigosa porque subentende existir na cabeça do MF (e não será só ele), além de um revanchismo primário – a oposição é que criou este imbróglio, agora entendam-se – e de querer “lançar a toalha ao ringue”, uma displicência total na alienação da soberania. Isto é, ele assume – e pelos vistos defende – que os órgãos representantes do Estado, ainda eleitos pelo povo português, não são competentes para se entenderem nos compromissos políticos a adoptar (a começar no governo, e isso não tem nada com o facto de estar limitado nas actuais funções), e que tal deve ser feito directamente entre a UE – que continua a ser um actor político, juridicamente indefinido – e uns actores políticos diferenciados em partidos, que exercem a sua actividade cá no burgo! E tenho sérios motivos para pensar que estas tiradas não são delírios políticos, mas uma vontade consciente ou não, de fazer diluir o nosso país numa entidade internacional qualquer. E quando mais depressa melhor… Sem modéstia, sem diplomacia e sem receio, gostaria de dizer que a situação é muito mais grave e perigosa do que o mais avisado português possa supor; que é bonito e esperançoso dizer que Portugal já passou por muitas crises graves e também há-de superar esta – mas pode não ser verdade e terá seguramente consequências terríveis e algumas irreversibilidades – e que, finalmente, não temos à vista desarmada, nenhum alcaide de Faria que dê o alerta, mesmo correndo o perigo de ser morto, e um seu filho que se queira defender.

João José Brandão Ferreira

TCorpilav(REf.)

1 comentário:

Isamar disse...

Nem em situações de extrema perigosidade para todos nós parece haver espaço para um entendimento político que urge ser encontrado. É que é de todo o interesse, partidarites à parte, que as negociações sejam feitas sem incidentes que onerem o processo de resgate financeiro do País e deixem chegar os milhões necessários para que se possa dar início ao processo de levantamento da economia. O momento é de união e não podemos esquecer que o povo, sabedor das coisas da vida, diz que a União Faz a Força. Façamos por isso neste momento tão delicado para todos nós.

Bem-hajas, Pedro!

Continua a escrever!

Abraço fraterno daqui da serra.