quinta-feira, novembro 29

sábado, novembro 3

Vamos dar uma força na divulgação pelos nossos amigos, reformados ou não, para que procedam à sua assinatura.... Aquie se repete o linkk.. FORÇA!
http://www.peticaopublica.com/?pi=APRe

terça-feira, setembro 4

Aqui não é Portugal

 Vou "arrear" a bandeira e colocar uma placa
 
AQUI NÃO É PORTUGAL
 
Isto é mau demais !
Como é possível term feito isto ao meu país?!
Já não há palavras para dizer seja o que fôr sobre esta coisa!
Não há dia nenhum que não haja novas notícias de fraudes, roubos, desvios, corrupção, vigarices, com a justiça politizada, com a saúde a ser completamente privatizada, com a televisão a ir para a mão de um qualquer, ....
Já não dá! Chamem-me se quiserem fazer um 26/4
 
 

quarta-feira, agosto 15

Indiferentismo



"Infelizmente, a maioria do país vai continuar a não ser de esquerda nem de direita, mas de um crescente indiferentismo que não consegue regenerar os partidos, afasta o povo da democracia e ameaça despolitizar a república."
(José Adelino Maltez,  no 'Público')

"O burro sou eu ?"

Vi há pouco imagens de ontem do "Circo Pontal"
Expliquem-me pf , porque não entendo e então serei muito burro, como é que ainda há pessoas a alinhar naquelas festas?!
A carneirada continua, atrás de outros palhaços, sendo que o circo é sempre o mesmo!
Estão à espera do quê? Tachos?
Não será fácil pois devem estar todos entregues por algum tempo!Então o que leva aquela gente a andar atrás duma corja que nos desgoverna?
"Quanto mais me bates mais gosto de ti?!" Será ?
E tirem o cavalinho da chuva que 2013 vai continuar a ser de reserção, apesar do coelho dizer o contrario!Nem com coelhos na relva, portas de submarinos, cristas de galo, ou qualquer outro fenómeno, vamos deixar de continuar a recuar!
E o precipício tanto está um passo à frente como atrás!
Continuem que vão longe.... 

terça-feira, agosto 14


Começaram no Pontal
Na Pontinha alguém os viu
Agora só metem àgua
Vão.... prá puta que os pariu!

"BARDAMERDA"



Tenho andado tentado a começar novamente a dizer aqui o que me vai na alma!
Agora que atingi o tal "estatuto" de estar cagando para tudo e para todos, quero lá saber o que pensam ou dizem de mim, é talvez a altura de desabafar, tratando as coisas pelo próprio nome!
Faro é há muito uma cidade decadente! Os anos passam e cada vez mais a nossa cidade vai perdendo a sua identidade! Mais parece uma cidade abandonada do "Faroeste"!
Por outro lado, o interior algarvio está cada vez mais entregue a si próprio! Loulé a norte, não existe! Só a sul! Nada se faz em defesa das populações do interior! Só pesam meis dúzia de votos.....
E assim, "Eu tenho dois amores, que em nada são iguais! Um morre lentamente e o outro está mal demais"!
Quando chegará o 26 de Abril?
 

quinta-feira, abril 26

sexta-feira, abril 6

VERGONHA

Fila para pagar portagens na A22

VERGONHA !!!!!!

quarta-feira, janeiro 4

Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas


Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal.
Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País.

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce(para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal.

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?


psg@negocios.pt

domingo, janeiro 1

2012

Gostava de perspectivar um Bom 2012 para todos mas receio que para muitos vá ser um ano catastrófico!
Assim desejo aos Amigos, inimigos, conhecidos, desconhecidos e similares o Ano Novo possível!

sábado, dezembro 24

Mais um Natal

E cá está outro Natal, que como habitualmente é pior que o anterior!
E porquê ?
Todos o sabemos e temos que agradecer à mafia que nos vem governando há mais de trinta anos, por tudo o que nos tem roubado...
Esta coisa a que muitos insistem em chamar país tem sido continuamente desgovernado por uma classe sem princípios, sem honra, sem honestidade,que quase declaradamente roubam ao povo o pão para se alimentar!
E não pensem que isto vai mudar!
Ou melhor,vai mesmo mudar mas sempre para pior!
Agora dizem que vai ser um ano de sacrifício como se a seguir viesse a bonança depois da tempestade!
Esqueçam! Depois da crise, que se irá perpetuar por muitos anos, se e quando novamente houver alguma coisa para roubar,. estes ou outros da mesma raça estarão perfilados para o ataque!
Não temos alternativas! Um 26 de Abril não se vislumbra até porque não há ninguém para o fazer!
Tal como em Angola onde o presidente engorda os generais para os ter controlados, também cá as forças (al)armadas são intocáveis! Veja-se que vencimentos e demais regalias destes senhores
são intocáveis!
E assim, esta coisa vai vegetando, com os ricos cada vez mais ricos, e a crise só funciona a favor deles, e os outros cada vez mais pobres!
Já há muita miséria e fome em Portugal!
A quem temos que agradecer?
Enquanto uns (poucos) vão ter uma consoada com caviar outros nada terão para a fome matar!
E a quem temos que agradecer?
Ao longo de mais de trinta anos temos assistido à mudança das moscas sendo que a merda é sempre a mesma!
O sistema continua a funcionar e a uns sucedem outros, escolhidos pelo diabo!
E a quem temos que agradecer?
Este é mais um Natal triste e resta-me desejar a todos o Natal possível, que não é melhor porque...
E a quem temos que agradecer?

sexta-feira, dezembro 23

BOM NATAL ? Não !





BOM NATAL ? Não !

Alguém poderá ter um Bom Natal quando o mundo assiste impávido a dramas como este?´Esta é uma época de cinismo onde hoje se desejam Boas Festas e àmanhã se atraiçoa e magoa!Por mim desejo aos meua Amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos e similares...o Natal Possível...

sexta-feira, dezembro 9

Portugal precisa do Eurico

Portugal precisa do Eurico.
Lisboa, Porto, Paços de Ferreira e Campo Maior precisam muito do Eurico. O Algarve, a Serra da Estrela e os Açores precisam do Eurico. Quem é o Eurico? O nome foi inventado aqui pelo meu colega de redacção António Rodrigues: o Eurico é uma espécie de parente próximo do euro, mais jovem, mais magro e também muito mais preparado para os tempos que correm.
O Eurico é uma moeda mais fraca do que o euro, o que é uma coisa boa para incentivar as exportações, a única maneira conhecida nas escolas de economia para, nos próximos tempos, aguentar a economia portuguesa, ameaçada pelo desastre e com consumo interno pouco acima do zero. O desastre, na essência, é o mesmo que ameaça o conjunto das economias europeias, com ou sem implosão do euro: a depressão profunda.
Agora que o euro falhou, viva o Eurico. As razões para o falhanço do euro são conhecidas: basicamente, decidiu-se reunir economias muito fortes e outras muito fracas sem que a união económica fosse sustentada por qualquer coisa que tivesse alguma parecença com uma união política. Estando já adquirido que, por força da sua própria história, (infelizmente) a Europa nunca funcionará como os Estados Unidos da América, a ideia do euro a duas velocidades – que tanto terror inspira em alguns dirigentes da União – pode ser uma luzinha ao fundo do túnel, uma saída aceitável para uma crise sem fim à vista.
O Eurico dava uma margem aos países frágeis para recuperarem as suas economias, com base em exportações muito mais baratas – a verdade é que, sem o Eurico, iremos continuar a fazer o chamado “ajustamento” à conta de salários cada vez mais baixos e da indignidade da espiral do desemprego sem esperança.
A Europa devia concentrar- -se no Eurico. Portugal precisa de um Eurico. A Espanha, a Itália, já para não falar da Grécia e da Irlanda, também precisam do Eurico. E não sabemos se um dia destes a França, acossada pelos mercados e pela ameaça de descida de rating da sua outrora reluzente economia, também não virá a pedir a adesão ao nosso Eurico.
A solução ontem apresentada pelo duo Merkel/Sarkozy repesca o falhado pacto de estabilidade da fundação do euro. As sanções já existiam e eram duríssimas: acontece que foram a França e a Alemanha (a Alemanha de Schroeder, mas também a Alemanha dirigida por Merkel) os primeiros países a violar o dito Pacto de Estabilidade. Não houve sanções para esse duo dinâmico. Abaixo a moeda esquizofrénica que, na iminência do seu colapso, vale mais do que o dólar. Viva o Eurico.

Ana Sá Lopes

A queda da Europa Unida ?



Terá começado hoje a queda da UE ?

A reunião em Bruxelas deu - 4 !

O BCE não alterou a sua posição relativamente ao Euro... e como não pode fazer o que outros fazem, nomeadamente os Estados Unidos, que é porem as rotativas a fazer dinheiro, a "nossa" moeda sai mais fraca desta cimeira!

"Ó tempo volta para trás, dá-me tudo o que perdi,...e devolve-nos os escudos!"

Estamos feitos....

Aqui ninguém me chateia

Sou um previlegiado pois tenho uma segunda habitação no Algarve profundo!
Aqui ninguém me chateia e até consigo "ouvir o silêncio"!
Diz o ditado popular "longe da vista, longe do coração" e é isso que me acontece! Não vivo permanentemente a ouvir falar da crise e das desgraças desta coisa a que insistem em chamar país!
Ontem começaram as portagens na Via do Infante!
Mais um pequeno grande pormenor que vai ajudar a nossa região a afundar-se ainda mais!
Tento andar mais ou menos informado sobre o que se passa neste nosso Algarve, e na hotelaria e restauração a situação já é procupante!
E com estas ajudas vamos continuar a ser a região do país com mais desemprego, desemprego este que se vai agravar, e de que maneira, no primeiro semestre de 2012!
Mas, o Natal está à porta e o cínismo vem à superficie com toda a gente agora a desejar Boas Festas e Bom Ano, e daqui a dias a "enfiar a faca nas costas" a quem desejaram Boas Festas...
É este o nosso mundo e que é feito à nossa semelhança!
O grande mal está em nós....

domingo, dezembro 4

Valerá a pena?

Os meus "hobies" pratico-os para meu prazer!
Se os outros também tiverem algum prazer, tudo bem!
Se não tiverem estou-me nas tintas!
E vem isto a propósito de agora ter disponibilidade para este blog, mas não me aptecer fazer nada por ele!
Nesta merda desta coisa a que insistem chamar país, tento alhear-me de tudo e todos que alimentam esta coisa!
Terra de muitos artistas, cada um pretendendo ser mais aplaudido do que o outro, não se vislumbra nada nem ninguém que seja capaz de ressuscitar esta coisa!
Está em "morte clínica"!
Um milagre? Só isso poderá salvar esta coisa!
Como não acredito neles, vou-me esquecendo que também faço parte desta coisa!
E quanto mais me esqueço, melhor me vou sentindo!
Façam o que quiserem, matem, esfolem, mas não me chateiem!
E assim vou tentando viver o melhor possível aproveitando o sol que nos ilumina e a natureza que me rodeia!
Se conseguirem, sejam felizes!

sexta-feira, setembro 30

Estou farto desta treta: este país não é para velhos nem para novos

Estou farto desta treta: este país não é para velhos nem para novos
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 29 de setembro de 2011



Estou farto daquilo em que se tornou este país. Estou farto de estar farto deste país. Estou farto de aldrabões, de vigaristas e de ilusionistas. De "doutores" e "engenheiros", senhores que secam tudo à passagem. Farto de políticos de vão de escada e de elefante Branco. Farto de offshores sem dono. Fartos de idosos com pensões de miséria. Farto de empresas a fechar e famílias destruídas. Farto de ver amigos à rasca. Farto da justiça comprometida, de procuradoras bizarras e de um Ministério Publico caquéctico. Farto de ver pessoas desdobrarem-se para conseguirem sobreviver. Farto de indignidades e desemprego. Farto de banqueiros e de bancos metidos em todos os grandes casos de corrupção. Farto de Casa Pia e de Face Oculta. Farto da falta de vergonha na cara de quem promete o que nunca irá cumprir. Estou farto de ver miséria escondida, envergonhada pela sociedade iludida e pura de consumo, embriagados que andámos pelo excesso de dinheiro que choveu até a torneira europeia secar e voltarmos à estaca zero, com mais snack-bares e cafés, tudo a fundo perdido. Farto de ver o mérito ser apenas mais uma palavra de dicionário. Farto de filhos da mãe. Farto de assistir à promoção da estupidez, da ignorância premiada e do compadrio a alastrar. Farto de ver pessoas entregarem as suas casas aos bancos, os mesmos que financiaram a compra sem critério. O Ronaldo é que sabe mas os Martins é que vão viver para a garagem. O Mourinho é o maior e você está falido. Mas pense positivo: têm conta no mesmo banco.
Estou farto de ver acéfalos a falar de despesismo, o que se deve e não gastar, onde se deve e não cortar. Farto da falsa direita e da esquerda de sauna. Farto de conselhos dos velhos que lixaram isto tudo. Estou farto do FMI e dos ratings de empresas imorais a soldo dos EUA. Estou farto da senhora Merkel e das facturas escandalosas da EDP. Farto de gente a falar da críse sem a cheirar. Estou farto da boçalidade de Jardim e de gente que num país a sério seria obrigada a explicar o que faz e porque fez. Farto de Fundações e empresas públicas falidas. Farto da desresponsabilização. Farto de incompetência. Farto do Magalhães e do embuste das renováveis. Farto da gestão de mercearia na saúde pública. Farto de ver um Presidente da República a agir como uma jarra da vista Alegre em dia de festa no palácio. Farto de ver agricultores pagos para não produzirem. Fartinho de ver tudo a queixar-se e ninguém fazer nada e de me queixar e ser insultado - "se não gostas vai-te embora" - como se fossemos obrigados a gostar do estado em que estamos e estar caladinhos. Farto de ver gente genial partir desta selva. Ponham novamente a porcaria do Cravo nas arminhas e façamos uma revolução se os chaimites pegarem à primeira e houver gasolina nos depósitos. Uma "revoluçãozinha" à portuguesa, daquelas limpinhas, ordeiras e com paragem para pastéis de bacalhau e arroz de tomate. Povo de brandos costumes e...blá blá blá. Viva, viva a liberdade e agora toca a gamar.
Ou então façamos uma a sério, assim à grega, aqueles maluquinhos que certo dia inventaram a "democracia" e que agora são uns vândalos e tal, ou estarei enganado? Daqui a 40 anos cá estará alguém a queixar-se. Espero que não os mesmos de sempre.


Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/estou-farto-desta-treta-este-pais-nao-e-para-velhos-nem-para-novos=f677038#ixzz1ZSoB3Ih1

segunda-feira, julho 18

Regresso à escola

Aos 62 anos, regressei à escola!
É verdade!
Dada a minha actual situação profissional fui "convidado" pelo IEFP a voltar para a escola!
Uma nova experiência que tem sido agradável e que me tem feito recordar os bons velhos tempos!

terça-feira, junho 14

Portugal ao espelho: Legislativas de 2011


Para quem gosta de análise política...



Portugal ao espelho: Legislativas de 2011

Jorge Morbey

Ao fim de seis anos de governo, o legado que José Socrates e o PS deixam a Portugal é inventariado no último livro do economista e professor universitário Álvaro Santos Pereira:

O pior crescimento económico dos últimos 90 anos, na última década;

A maior dívida pública dos últimos 160 anos, em % do PIB: que não inclui as dívidas das empresas públicas (25% do PIB); nem os encargos, no valor de 60 mil milhões de euros (35% do PIB), com as Parcerias Público-Privadas, na construção de auto-estradas, hospitais, escolas, etc., cujo pagamento será efecuado por futuras gerações e governos vindouros;

A pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos, que continua a aumentar após ter chegado aos 11.1% no ano corrente: com 620 mil desempregados, em que se incluem 300 mil no desemprego, há mais de 12 meses;

A maior dívida externa dos últimos 120 anos: a dívida externa bruta de Portugal era inferior a 40% do PIB, em 1995. Em 2011, ronda os 230% do PIB; a dívida externa bruta aproxima-se de um valor que é quase 8 vezes o valor das exportações portuguesas; Portugal figura entre os 10 países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis; a dívida externa líquida, em 1995, equivalia a 10% do PIB. Em 2011, aproxima-se dos 110% do PIB;

O endividamento das famílias é de cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível;

A dívida das empresas é equivalente a 150% do PIB;

Cerca de 50% de todo o endividamento nacional é imputável, directa ou indirectamente, ao Estado;

Portugal passa pela segunda vaga de emigração dos últimos 160 anos; e sofre a segunda maior fuga de cérebros entre os países da OCDE;

O país tem a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos;

Nos últimos 10 anos, os défices da balança corrente oscilaram entre os 8% e os 10% do PIB;

Na Justiça, em 1995, havia 630 mil casos pendentes nos tribunais cíveis; em 2011, esse número subiu para 1.6 milhões. No entanto, na Europa, Portugal é um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante;

Na Educação, Portugal tem a terceira pior taxa de abandono escolar entre todos os países da OCDE, melhor do que o México e a Turquia, apenas;

O peso da despesa do Estado já ultrapassa os 50% do PIB. Existem: 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 Entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes de Presidente de Governo Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesia, Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, Comunidades Inter-Municipais.

É obra!!!



Em vez de travar e reduzir drasticamente o peso do Estado para reduzir o défice das contas do Estado, o Governo PS/José Socrates, que Portugal teve nos últimos seis anos, optou por cortar salários e pensões, e aumentar impostos, nos orçamentos de Estado mais recentes e nos sucessivos PEC’s que complementaram aqueles.

O resultado está à vista: O PS/José Socrates obteve 28.05% dos votos expressos, contra os seus opositores principais – PSD com 38.63% e CDS/PP com 11.74%.



Portugal, que futuro?

Na leitura dos resultados das Legislativas de 2011, assume importância capital o valor da abstenção (41.1%) e de votos brancos (2.67%). A abstenção, aliás, tem vindo a crescer permanentemente: 35.7% (2005); 40.3% (2009).

Já nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro de 2011, a maioria do eleitorado não foi às urnas (53.6%). Os eleitores que votaram em branco, isto é, que optaram também por não escolher nenhum dos candidatos, foi de 4.26%.

Temos, portanto, que 43.8% dos eleitores dos deputados à Assembleia da República e 57.9% dos eleitores do Presidente da República, quiseram ficar de fora do processo de escolha dos dois órgãos de topo do sistema político português.

Estamos face a dois records de não participação dos portugueses na vida política do seu país registados em 2011.

Não pondo em causa a legitimidade formal para o exercício do Poder pelo Presidente da República e pela Assembleia da República, eleitos em 23 de Janeiro e 5 de Junho de 2011, parece oportuno questionarmo-nos sobre se se deverá prosseguir com um sistema político, assente num sistema eleitoral, que corre o risco de ser cada vez menos representativo da vontade colectiva dos portugueses.

É verdade que só não vota quem não quer. Mas este alheamento dos portugueses, no que se refere à escolha das cúpulas do seu sistema político, não augura nada de bom. Será apenas desinteresse irresponsável? Não acredito. É também uma forma de protesto e uma manifestação visível de descrédito relativamente às instituições políticas que não têm estado à altura das legítimas expectativas de vida de um número assustadoramente crescente de portugueses, e que encontra explicação nos dados inventariados pelo Prof. Álvaro Santos Pereira.



Mudar o Povo ou alterar o sistema

Escrevia o Prof. Jorge Dias em 1950 que a única constante de um povo é o seu fundo temperamental e que o Português não gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas, ferido no seu orgulho, pode ser violento e cruel.

O voto em branco e a abstenção têm consequências diferentes na aritmética eleitoral. Ambos podem ter por motivação: a não identificação com nenhum dos partidos políticos ou candidatos presidenciais; um modo de protestar contra a classe política; uma intenção de retirar legitimidade ao sistema político. Se os respectivos valores percentuais se apresentam baixos, podem ter a leitura do inconsequente "agarrem-me, se não eu...".

Onde se situa a fronteira a partir da qual os não votantes e os que votaram em branco adquirem peso político bastante para que a sua opção seja tomada em conta? Essa fronteira não existe. Alguns sistemas eleitorais estabelecem a obrigatoriedade do voto, prevendo penalidades para os eleitores que não votarem, o que também perverte a representatividade da vontade colectiva. Mas a regra é a de conferir valor aritmético somente aos votos expressos, o que também não garante essa representatividade. De modo que, ou o poder político tem a inteligência suficiente para perceber a necessidade de alterar o sistema, procurando torná-lo, o mais possível, genuinamente representativo; ou arrisca-se à ruptura do sistema, por via revolucionária ou por golpe de Estado. Em Portugal, a I República foi fértil em rupturas desta natureza em que acabou por sucumbir.

Nos últimos seis anos, Portugal resvalou em plano inclinado para um clima de crescente tensão social que pode inviabilizar a governabilidade do país. A esquerda parlamentar apresenta-se minoritária. Mas a esquerda social tem condições para mobilizar e liderar o descontentamento de todos os sectores da população unidos pelo desemprego, pela fome, pela redução de salários e pensões, pelo corte de benefícios sociais e crescentes dificuldades no acesso aos cuidados de saúde, pelo endividamento das famílias que põe em risco a sua própria habitação, pela crescente desigualdade social que circula com nomes, fotografias e escandalosos rendimentos auferidos pelos príncipes do sistema, pela dor da emigração de entes queridos, pelo aumento da insegurança e da violência, etc.

A internet, as redes sociais, as sms, têm-se revelado meios céleres de mobilização, protesto e derrube dos sistemas políticos que se divorciaram da vontade colectiva. Estar-se-à a tempo de evitar o pior?

Dizia também o Prof. Jorge Dias: [o Português] é um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes e as suas virtudes os seus defeitos, conforme a égide do momento.



D. Sebastião e Salazar

Segundo o mesmo ilustre antropólogo, a saudade é um estranho sentimento de ansiedade que parece resultar da combinação de três tipos mentais distintos: o lírico sonhador – mais aparentado com o temperamento céltico -, o fáustico de tipo germânico e o fatalístico de tipo oriental. Este último tipo mental invade os portugueses nas épocas de abatimento e de desgraça. Então a saudade toma uma forma especial, em que o espírito se alimenta morbidamente das glórias passadas e cai no fatalismo de tipo oriental, que tem como expressão o fado, cujo nome provém do étimo latino fatu (destino, fadário, fatalidade).

Em 2007, num programa da Radiotelevisão Portuguesa intitulado “Os Grandes Portugueses”, Salazar foi eleito “o maior português de sempre”contra tudo o que seria de esperar de uma vontade colectiva identificada com o sistema político português instituído na vigência da Constituição de 1976.

O referido programa de televisão, um modelo original da BBC, havia sido realizado em outros países. Em França foi eleito Charles De Gaulle, em Inglaterra Winston Churchill e nos Estados Unidos Ronald Reagan. Resultado nada discrepante com a identificação desses povos com o seu sistema político.

O Sebastianismo tem as suas raízes na perda da independência nacional de Portugal, em 1580, e na dominação dos portugueses por um poder estrangeiro, até 1640. Oliveira Martins, em 1879, explicava que o povo português, abandonado e perdido, fizera do lendário D. Sebastião um génio e da sua história um mito. Sampaio Bruno, em 1904, abordou as pistas para o desvendamento do mito. José Lúcio de Azevedo, em 1918, traçou a sua origem e evolução. António Sérgio, em 1920, classificou-o como um fenómeno social e intelectual produzido em condições que se resumem numa consciência de “queda”, acompanhada da falta de verdadeira independência. Acrescenta que, com a persistência de tais condições, o mito segue paralelamente a tradição do bandarrismo. E concluía: “o messianismo terá vida (ou poderá tê-la) enquanto se impuser a este povo, para comparar e contrapor à sua efémera grandeza, o espectáculo persistente da sua lúgubre decadência”.

O mito sebastianista vicejou em poetas como António Nobre, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e outros. A sua permanência na História de Portugal, com metamorfoses e ressurgências em determinadas épocas, deu azo a que o historiador já referido, José Lúcio de Azevedo, tivesse concluído que o sebastianismo “nascido da dor, nutrindo-se da esperança, é na história o que é na poesia a saudade, uma feição inseparável da alma portuguesa”.

Pode estar a germinar em Portugal novamente um messianismo, metamorfoseado agora em Salazar: homem honesto, professor universitário prestigiado, político incorrupto, guardião indomável da independência nacional durante os quarenta anos de exercício do poder, que nasceu e morreu pobre; em contraposição à imagem da liderança política mais recente de Portugal que Urbano Tavares Rodrigues, meses atrás, sintetizava do seguinte modo: "Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o País perante o Mundo?"



Portugal ao espelho

Convenhamos que José Sócrates foi o elo mais recente de uma cadeia de lideranças políticas em que se acumularam erros graves.

Portugal sentiu as maiores dificuldades em se voltar a situar no mundo. Ao projecto nacional de construção de uma Nacão pluricontinental e multirracial, nenhum outro projecto nacional mobilizador se seguiu.

A entrada de Portugal na CEE/UE deu-se, não como gente trabalhadora que embarcava para trabalhar como tripulação de um dos navios de uma frota, mas como turistas que entravam a bordo de um paquete de cruzeiros, sem dinheiro para as despesas da viagem.

Terá Portugal vocação europeia? Desde Aljubarrota (1385) e Ceuta (1415), Portugal virou costas à Europa, até ao 25 de Abril (1974). Ao fim de seis séculos de História, era previsível que não fosse fácil a reconversão da identidade colectiva e da personalidade base dos portugueses.

A fragilidade da economia portuguesa, enraízada na Política Ruralista do Estado Novo de auto-suficiência alimentar (1926 – 1950) e na Lei do Condicionamento Industrial (1931), altamente proteccionista da produção nacional, serviu para eliminar a concorrência interna das empresas já existentes em cada ramo mas, ao mesmo tempo, contribuiu para a estagnação tecnológica, a criação de monopólios, a fraca qualidade dos bens e serviços produzidos, isto é, resultou na construção de um tecido empresarial português muito frágil.

O mercado das colónias, com escritórios instalados em Portugal que decidiam sobre as suas importações e exportações – sobrefacturando aquelas e subfacturando estas cujos diferenciais retinham em Portugal - era altamente compensador para a economia portuguesa.

Ainda assim, o equilíbrio das contas públicas conseguia-se com as remessas dos emigrantes. Portugal era um país rico – que se dava ao luxo de manter uma guerra em três frentes – povoado de gente pobre.

A descolonização retirou à economia portuguesa o controlo dos mercados coloniais. Apesar do profundo golpe que sofreu, a economia portuguesa conseguiu manter por alguns anos o equilíbrio das contas públicas. Os 48 anos de Estado Novo, no meio de tudo o que de mau deixou ao País, legou-lhe uma pesada herança, em ouro e divisas.

O Prof. Mário Murteira, Vice-Primeiro Ministro do Governo da Eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo, afirmava publicamente que o que faltava em Portugal não era dinheiro. Do que havia falta – dizia - era de ideias e projectos. Mas o empresariado português passou a fazer negócios com o dinheiro dos bancos. Os capitais sociais, os capitais próprios, eram mais ou menos ficção. Começou o endividamento das empresas.

O endividamento das famílias teve início em consequência da política populista das ocupações de bens imóveis que se seguiu ao 25 de Abril. O desfavorecimento dos proprietários, incluindo os senhorios de imóveis para habitação e a contenção do valor das rendas de casa levou à rápida deteriorização do parque habitacional e à extinção do mercado de arrendamento para habitação. Desapareceram os escritos nas janelas que indicavam casa para arrendar. Quem necessitava de casa não encontrava oferta de habitações para arrendar.

A solução passou a ser a compra de apartamentos em urbanizações na periferia das cidades, com recurso ao financiamento bancário garantido por hipoteca.

A inexistência de redes de transportes colectivos entre a habitação e o local de trabalho, com passagem pelas amas, creches, jardins de infância ou escolas, resolveu-se com a compra de viatura própria, com recurso a crédito titulado por letras. Assim começaram as famílias a viver acima das suas possibilidades. O hábito entranhou-se na sociedade portuguesa e cresceu como bola de neve.

A nível político, os governos do Estado Novo eram alcunhados de “governos de catedráticos” . Na verdade, os ministros, secretários e subsecretários de Estado, originários de famílias humildes, na sua maior parte, eram professores universitários, oficiais das forças armadas, gente que tinha uma carreira profissional prestigiada, a que regressava quando saía do governo.

A Democracia portuguesa passou a previlegiar, como é natural, a filiação partidária. Os filiados dos partidos foram perdendo qualidade. Gradualmente foram aumentando ministros e secretários de Estado recém formados nas Jotas partidárias, com habilitações adquiridas já no exercício de funções políticas, sem exercício profissional prévio e credenciado. Com excepções, é certo. Mas cada vez em menor número.

A fragilidade da Economia, encostada ou mesmo dependente da Política e dos partidos, trouxe para a arena política a maior promiscuidade de que há memória entre a Política e a Economia. Daí o espectáculo degradante e típico das “repúblicas das bananas”, do favorecimento recíproco. A Política passou a ser o trampolim para a entrada no mundo dos negócios e das negociatas. Passou a ser regra nos chamados partidos com vocação para governar. O casamento da política com os negócios e as negociatas pariu um polvo, agora em idade adulta, cujos tentáculos têm a cor dos partidos que têm governado Portugal em Democracia.



Saneamento nacional

Portugal parece precisar urgentemente de um verdadeiro saneamento nacional. Não só nas Finanças e na Economia, como agora lhe é imposto de fora. Mas na Política, principalmente. É imperativa a reconciliação dos portugueses com o seu sistema político, de que o sistema eleitoral é parte integrante. É inadiável que os portugueses voltem a ter confiança em quem governa. Na Política, na Administração e nas empresas. Não se restaura a sua confiança a pedir-lhe sacrifícios enquanto persistir o fosso das remunerações e das pensões que os separa de políticos e gestores públicos.

Faço eco ao grito de revolta de Clara Ferreira Alves, com excertos do artigo que publicou no Expresso, em Março de 2009:

É muito triste, mas fomos nós, a nossa inépcia e indiferença que permitiu que estes senhores tornassem Portugal o país mais atrasado da Europa. Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

A “escavação da verdade”, a cargo do Poder Judicial realmente independente e imune a pressões políticas, é condição essencial para restituir confiança dos portugueses nas suas instituições. Em 1975, após a queda do Estado Novo, vigorou legislação de saneamento que resultou na declaração de incapacidade cívica, activa e passiva, dos indivíduos ligados ao antigo regime.

Se os partidos com assento parlamentar tiverem a coragem de firmar um Pacto de Transparência visando o apuramento da responsabilidade civil e criminal dos políticos e gestores públicos comprometidos com o empurrão que levou Portugal a resvalar para o fundo do abismo em que se encontra, terão o prémio de passarem a ser depositários da confiança dos portugueses, principalmente porque alguns deles terão de se purificar pelo hara-kiri de correlegionários.

Por outro lado, se os mesmos partidos firmarem um pacto de equidade que reduza o leque de retribuições diminuindo o fosso que separa todos os portugueses de alguns portugueses, reforçarão as possibilidades de impôr sacrifícios a todos, após ser público e notório o sacrifício desses alguns.

É este o caminho por que se salvará a Democracia em Portugal e se abrirão as portas para a felicidade colectiva dos portugueses.



dominação dos portugueses por um poder estrangeiro, até 1640. Oliveira Martins, em 1879, explicava que o povo português, abandonado e perdido, fizera do lendário D. Sebastião um génio e da sua história um mito. Sampaio Bruno, em 1904, abordou as pistas para o desvendamento do mito. José Lúcio de Azevedo, em 1918, traçou a sua origem e evolução. António Sérgio, em 1920, classificou-o como um fenómeno social e intelectual produzido em condições que se resumem numa consciência de “queda”, acompanhada da falta de verdadeira independência. Acrescenta que, com a persistência de tais condições, o mito segue paralelamente a tradição do bandarrismo. E concluía: “o messianismo terá vida (ou poderá tê-la) enquanto se impuser a este povo, para comparar e contrapor à sua efémera grandeza, o espectáculo persistente da sua lúgubre decadência”.

O mito sebastianista vicejou em poetas como António Nobre, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e outros. A sua permanência na História de Portugal, com metamorfoses e ressurgências em determinadas épocas, deu azo a que o historiador já referido, José Lúcio de Azevedo, tivesse concluído que o sebastianismo “nascido da dor, nutrindo-se da esperança, é na história o que é na poesia a saudade, uma feição inseparável da alma portuguesa”.

Pode estar a germinar em Portugal novamente um messianismo, metamorfoseado agora em Salazar: homem honesto, professor universitário prestigiado, político incorrupto, guardião indomável da independência nacional durante os quarenta anos de exercício do poder, que nasceu e morreu pobre; em contraposição à imagem da liderança política mais recente de Portugal que Urbano Tavares Rodrigues, meses atrás, sintetizava do seguinte modo: "Como explicar que o povo que foi sujeito da Revolução de Abril tenha hoje como Primeiro-ministro, transcorridos 35 anos, uma criatura como José Sócrates? Como podem os portugueses suportar passivamente há mais de cinco anos a humilhação de uma política autocrática, semeada de escândalos, que ofende a razão e arruína e ridiculariza o País perante o Mundo?"



Portugal ao espelho

Convenhamos que José Sócrates foi o elo mais recente de uma cadeia de lideranças políticas em que se acumularam erros graves.

Portugal sentiu as maiores dificuldades em se voltar a situar no mundo. Ao projecto nacional de construção de uma Nacão pluricontinental e multirracial, nenhum outro projecto nacional mobilizador se seguiu.

A entrada de Portugal na CEE/UE deu-se, não como gente trabalhadora que embarcava para trabalhar como tripulação de um dos navios de uma frota, mas como turistas que entravam a bordo de um paquete de cruzeiros, sem dinheiro para as despesas da viagem.

Terá Portugal vocação europeia? Desde Aljubarrota (1385) e Ceuta (1415), Portugal virou costas à Europa, até ao 25 de Abril (1974). Ao fim de seis séculos de História, era previsível que não fosse fácil a reconversão da identidade colectiva e da personalidade base dos portugueses.

A fragilidade da economia portuguesa, enraízada na Política Ruralista do Estado Novo de auto-suficiência alimentar (1926 – 1950) e na Lei do Condicionamento Industrial (1931), altamente proteccionista da produção nacional, serviu para eliminar a concorrência interna das empresas já existentes em cada ramo mas, ao mesmo tempo, contribuiu para a estagnação tecnológica, a criação de monopólios, a fraca qualidade dos bens e serviços produzidos, isto é, resultou na construção de um tecido empresarial português muito frágil.

O mercado das colónias, com escritórios instalados em Portugal que decidiam sobre as suas importações e exportações – sobrefacturando aquelas e subfacturando estas cujos diferenciais retinham em Portugal - era altamente compensador para a economia portuguesa.

Ainda assim, o equilíbrio das contas públicas conseguia-se com as remessas dos emigrantes. Portugal era um país rico – que se dava ao luxo de manter uma guerra em três frentes – povoado de gente pobre.

A descolonização retirou à economia portuguesa o controlo dos mercados coloniais. Apesar do profundo golpe que sofreu, a economia portuguesa conseguiu manter por alguns anos o equilíbrio das contas públicas. Os 48 anos de Estado Novo, no meio de tudo o que de mau deixou ao País, legou-lhe uma pesada herança, em ouro e divisas.

O Prof. Mário Murteira, Vice-Primeiro Ministro do Governo da Eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo, afirmava publicamente que o que faltava em Portugal não era dinheiro. Do que havia falta – dizia - era de ideias e projectos. Mas o empresariado português passou a fazer negócios com o dinheiro dos bancos. Os capitais sociais, os capitais próprios, eram mais ou menos ficção. Começou o endividamento das empresas.

O endividamento das famílias teve início em consequência da política populista das ocupações de bens imóveis que se seguiu ao 25 de Abril. O desfavorecimento dos proprietários, incluindo os senhorios de imóveis para habitação e a contenção do valor das rendas de casa levou à rápida deteriorização do parque habitacional e à extinção do mercado de arrendamento para habitação. Desapareceram os escritos nas janelas que indicavam casa para arrendar. Quem necessitava de casa não encontrava oferta de habitações para arrendar.

A solução passou a ser a compra de apartamentos em urbanizações na periferia das cidades, com recurso ao financiamento bancário garantido por hipoteca.

A inexistência de redes de transportes colectivos entre a habitação e o local de trabalho, com passagem pelas amas, creches, jardins de infância ou escolas, resolveu-se com a compra de viatura própria, com recurso a crédito titulado por letras. Assim começaram as famílias a viver acima das suas possibilidades. O hábito entranhou-se na sociedade portuguesa e cresceu como bola de neve.

A nível político, os governos do Estado Novo eram alcunhados de “governos de catedráticos” . Na verdade, os ministros, secretários e subsecretários de Estado, originários de famílias humildes, na sua maior parte, eram professores universitários, oficiais das forças armadas, gente que tinha uma carreira profissional prestigiada, a que regressava quando saía do governo.

A Democracia portuguesa passou a previlegiar, como é natural, a filiação partidária. Os filiados dos partidos foram perdendo qualidade. Gradualmente foram aumentando ministros e secretários de Estado recém formados nas Jotas partidárias, com habilitações adquiridas já no exercício de funções políticas, sem exercício profissional prévio e credenciado. Com excepções, é certo. Mas cada vez em menor número.

A fragilidade da Economia, encostada ou mesmo dependente da Política e dos partidos, trouxe para a arena política a maior promiscuidade de que há memória entre a Política e a Economia. Daí o espectáculo degradante e típico das “repúblicas das bananas”, do favorecimento recíproco. A Política passou a ser o trampolim para a entrada no mundo dos negócios e das negociatas. Passou a ser regra nos chamados partidos com vocação para governar. O casamento da política com os negócios e as negociatas pariu um polvo, agora em idade adulta, cujos tentáculos têm a cor dos partidos que têm governado Portugal em Democracia.



Saneamento nacional

Portugal parece precisar urgentemente de um verdadeiro saneamento nacional. Não só nas Finanças e na Economia, como agora lhe é imposto de fora. Mas na Política, principalmente. É imperativa a reconciliação dos portugueses com o seu sistema político, de que o sistema eleitoral é parte integrante. É inadiável que os portugueses voltem a ter confiança em quem governa. Na Política, na Administração e nas empresas. Não se restaura a sua confiança a pedir-lhe sacrifícios enquanto persistir o fosso das remunerações e das pensões que os separa de políticos e gestores públicos.

Faço eco ao grito de revolta de Clara Ferreira Alves, com excertos do artigo que publicou no Expresso, em Março de 2009:

É muito triste, mas fomos nós, a nossa inépcia e indiferença que permitiu que estes senhores tornassem Portugal o país mais atrasado da Europa. Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

A “escavação da verdade”, a cargo do Poder Judicial realmente independente e imune a pressões políticas, é condição essencial para restituir confiança dos portugueses nas suas instituições. Em 1975, após a queda do Estado Novo, vigorou legislação de saneamento que resultou na declaração de incapacidade cívica, activa e passiva, dos indivíduos ligados ao antigo regime.

Se os partidos com assento parlamentar tiverem a coragem de firmar um Pacto de Transparência visando o apuramento da responsabilidade civil e criminal dos políticos e gestores públicos comprometidos com o empurrão que levou Portugal a resvalar para o fundo do abismo em que se encontra, terão o prémio de passarem a ser depositários da confiança dos portugueses, principalmente porque alguns deles terão de se purificar pelo hara-kiri de correlegionários.

Por outro lado, se os mesmos partidos firmarem um pacto de equidade que reduza o leque de retribuições diminuindo o fosso que separa todos os portugueses de alguns portugueses, reforçarão as possibilidades de impôr sacrifícios a todos, após ser público e notório o sacrifício desses alguns.

É este o caminho por que se salvará a Democracia em Portugal e se abrirão as portas para a felicidade colectiva dos portugueses.

domingo, maio 8

Quer ficar com azia ?






Clique no link da Despesa Pública feita por ajuste directo ( sem concurso e directamente para os amigalhaços...).
O link já filtra as Despesas acima de 1 milhão de euros!
Abaixo, ainda alguns exemplos, como a fotocopiadora que custou à Divisão de Obras Municipais a módica quantia de 6.572.983,00 € !!!!!!!
Quem é o culpado? O governo que não governa e não fiscaliza. O Tribunal de Contas que fecha os olhos. A polícia e a Justiça que fazem de conta....
Depois dizem que a culpa é de todos nós!
Minha não é, pois se mandasse começava por mandar contruir muitas prisões!



http://www.despesapublica.com/ajustes-directos/?sk=&dataContratoMin=&dataContratoMax=&dataPublicacaoMin=&dataPublicacaoMax=&precoMin=1000000%2C00&precoMax=999999999%2C99#sortorder=desc





Agora com o FMI é que vamos ver os "podres" a aparecer e cheirar mal...
Isto foi tirado do Tribunal de Contas..........
Será por isso que nos estão a obrigar a apertar o cinto?????????
Estou sem palavras !!!!!!!!

AQUI VOS DEIXO ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS...
1. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P.
Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€

Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€.

Alguém me elucida sobre esta questão?

2. MATOSINHOS HABIT - MH

Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €

Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?

3. UNIVERSIDADE DO ALGARVE - ESC. SUP. TECNOLOGIA - PROJECTO TEMPUS

Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €

Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???

4. MUNICÍPIO DE LAGOA

6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €

Pelo vistos fazer um "Pimp My Ride" nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!!

5. MUNICÍPIO DE ÍLHAVO

Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores ópticos: 380.666,00 €

Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada....Já para não falar nos restantes acessórios.

6. MUNICÍPIO DE LAGOA

Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€

Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Haute-Couture.

7. CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES

VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €

Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????

8. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA

AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €

Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante...


9. CÂMARA MUNICIPAL DE SINES

Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €

É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa... E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra...



10. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA

AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €

E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra...



11. MUNICÍPIO DE BEJA

Fornecimento de 1 fotocopiadora, "Multifuncional do tipo IRC3080I", para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €

Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?

domingo, maio 1

Poema de agradecimento à corja





Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

sexta-feira, abril 29

Era assim...



«O BURACÃO» (do jornal «O Médico»)

(alguém foi entrevistado por um jornalista, que disse o seguinte:)

«- Há uma grande fraude que se está a passar nas farmácias.
- Ai sim? Ora conte lá isso...
- O senhor jornalista lembra-se de quando ia aviar remédios à farmácia e lhe cortavam um bocadinho da embalagem e a colavam na receita, que depois era enviada para o Ministério da Saúde, para reembolso às farmácias?
- Lembro, perfeitamente... Mas isso já não existe, não é verdade?
- É... Agora é tudo com código de barras. E é aí que está o problema... É aí que está a fraude. Deixe-me explicar: como o senhor sabe, há muita gente que não avia toda a receita. Ou porque não tem dinheiro, ou porque não quer tomar um dos medicamentos que o médico lhe prescreveu e não lhe diz para deixar de o receitar. Ora, em algumas farmácias - ao que parece, muitas - o que está a acontecer é que os medicamentos não aviados são na mesma processados como se o doente os tivesse levantado. É só passar o código de barras e já está. O Estado paga.
- Mas o doente não tem que assinar a receita em como levou os medicamentos? - Perguntei.
- Tem. Mas assina sempre, quer o levante, quer não. Ou então não tem comparticipação... Teria que ir ao médico pedir nova receita...
- Continue, continue - Convidei
- Esta trafulhice acontece, também, com as substituições. Como também saberá, os medicamentos que os médicos prescrevem são muitas vezes substituídos nas farmácias. Normalmente, com a desculpa de que "não há... Mas temos aqui um igualzinho, e ainda por cima mais barato". Pois bem: o doente assina a receita em como leva o medicamento prescrito, e sai porta fora com um equivalente, mais baratinho. Ora, como não é suposto substituírem-se medicamentos nas farmácias, pelo menos quando o médico tranca as receitas, o que acontece é que no processamento da venda, simula-se a saída do medicamento prescrito. É só passar o código de barras e já está. E o Estado paga pelo mais caro....
Como o leitor certamente compreenderá, não tomei de imediato a denúncia como boa. Até porque a coisa me parecia simples de mais. Diria mesmo, demasiado simples para que ninguém tivesse pensado nela. Ninguém do Estado, claro está, que no universo da vigarice há sempre gente atenta à mais precária das possibilidades. Telefonei a alguns farmacêuticos amigos a questionar...
- E isso é possível, assim, de forma tão simples, perguntei.
- É!.... Sem funfuns nem gaitinhas. É só passar o código de barras e já está, responderam-me do outro lado da linha.
- E ninguém confere? - Insisti.
- Mas conferir o quê? - Só se forem ter com o doente a confirmar se ele aviou toda a receita e que medicamentos lhe deram. De outro modo, não têm como descobrir a marosca. E ó Miguel, no estado a que as coisas chegaram, com muita malta à rasca por causa das descidas administrativas dos preços dos medicamentos... Não me admiraria nada se viessem a descobrir que a fraude era em grande escala...
E pronto... Aqui fica a denúncia, tal qual ma passaram...
Se for verdade... Acho que é desta que o Carmo e a Trindade caem mesmo!»

terça-feira, abril 19

segunda-feira, abril 18

Dignidade nacional


JOÃO CÉSAR DAS NEVES

DN2011-04-11

Nas próximas eleições existe um elemento fundamental em jogo: dignidade nacional. Se, como várias vozes alvitram, o partido de José Sócrates tiver um resultado digno, a nossa democracia sofrerá um rude golpe. Portugal será a chacota mundial. Não se trata de uma questão de votos, mas de elementar racionalidade. Aqueles dirigentes que presidiram seis anos, quatro dos quais em maioria, aos destinos nacionais, não podem ser poupados. Depois de longos tempos a negar a realidade, a manipular a imagem, a pintar quadros ilusórios em que cidadãos e mercados não acreditam, só ficarão impunes com descrédito para o sistema político. Nos últimos 32 meses, ou o Governo ignorava a realidade ou sabotou deliberadamente a situação nacional. Não há outra explicação. Se a charada da vitimização tiver êxito eleitoral, isso mostra não a qualidade do Governo mas a tolice dos eleitores. Com a chantagem da instabilidade, ficção da política de sucesso, desplante de negar o óbvio, Sócrates andou anos a dançar na borda do vulcão. Agora que o País caiu lá dentro, o PS não pode ser poupado. Como na Grécia e na Irlanda, Portugal precisa de que ele perca forte a 5 de Junho. Antigamente, algo evitava estas circunstâncias. Chamava-se vergonha. O responsável pela condução nacional ao colapso, mesmo considerando-se tecnicamente inocente, assumia politicamente a situação e afastava-se para dar lugar a outros. Mas esse pudor político anda muito arredado das praias nacionais, como andou no auge do Liberalismo oitocentista e na ruína da Primeira República. Mais que a incompetência e corrupção, era o descaramento dos responsáveis que então destruía a vida nacional. Foi essa a nossa experiência democrática até meados do século XX. Por isso, após 1974 tanto se temia o regresso da liberdade, que nunca rodara bem nestas paragens. Surpreendentemente, o regime funcionou. Funcionou mesmo muito satisfatoriamente. Nas três primeiras décadas após Abril, apesar de inevitáveis tropelias e abusos, presentes em todos os regimes, existiu honra, dignidade, elevação, acompanhada por alternância e desportivismo. É isso que tem resvalado ultimamente. As próximas eleições mostrarão se regressámos à antiga podridão ou se foram lapsos passageiros. Mas não há situações em que, após o desastre, a administração permanece? Sim, nos casos de Mugabe, Gbagbo e, até há pouco, Mubarak ou Kadhafi. É essa semelhança que nos condena. Quer isto dizer que o Partido Socialista tem de ser punido? Este PS sim! Aliás, o partido é uma das grandes vítimas da situação. A reeleição estrelar de José Sócrates, consagrada no XVII Congresso deste fim-de-semana, com votações à Mugabe, apenas manifesta isso de forma pungente. Quando acabar o delírio, será preciso salvar o partido deste longo pesadelo que se arrisca a afectá-lo gravemente. Além de arruinar o País, o consulado Sócrates, na única maioria absoluta socialista, danificará seriamente a sua área ideológica. Na ânsia de se salvar política e pessoalmente, o primeiro-ministro enterra aquilo mesmo que diz defender. Uma das declarações originantes na nossa democracia deu-se a 26 de Novembro de 1975. O vitorioso major Ernesto Melo Antunes disse na televisão, relativamente aos vencidos: "A participação do PCP na construção do socialismo é indispensável." Agora é bom lembrar que o Partido Socialista é também indispensável à democracia. Estes meses são dos piores da sua ilustre história. Mas o longo delírio socrático, que termina nesta louca corrida para o abismo num autismo aterrador, não pode servir para desequilibrar duradouramente a estrutura partidária nacional. Há que salvar o PS de si mesmo. No dia 5 de Junho, os portugueses votarão. Costuma louvar-se a sabedoria do povo. É fundamental que os eleitores, entre alternativas mornas e demagogia dura, compreendam a situação. A escolha hoje não é de políticas. Após 32 meses de negação, ilusões e derrapagem, quem for eleito terá grande parte da sua tarefa definida pelos nossos credores. O que está em causa é mesmo a dignidade nacional.

domingo, abril 17

sábado, abril 16

Instituto da Democracia portuguesa (IDP)


No dia em que o Governo demissionário decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira para atender ao “financiamento da República”, considera o Instituto da Democracia portuguesa (IDP) que chegou o momento para se encarar o médio prazo, para além do ruído de fundo com o curto prazo. O resgate é um dado adquirido não apenas porque a nossa situação financeira é grave como porque estamos em risco de sermos um elemento pernicioso para a estabilidade da zona euro. Embora as atenções dos portugueses estejam focadas, essa operação de resgate terá um prazo e um objectivo: evitar um desequilíbrio grave na zona euro. O facto de, neste processo ser Portugal o país a ser ajudado é instrumental. No fim de contas, prevalecerão os interesses globais da zona euro como um todo. Portugal experimenta há mais de trinta anos, uma perda de competitividade traduzida na lenta diminuição das suas taxas de crescimento. Apesar de todas as vultuosas transferências recebidas – fundos comunitários, remessas de emigrantes e investimento estrangeiro – a taxa de crescimento da economia portuguesa tem vindo a decair, sempre. Sucessivos governos e sucessivas políticas públicas centradas no “big is beautiful” esqueceram o apoio à produção de bens transaccionáveis com alta incorporação de mais valias e potencialidades de exportação. A crise actual e o nosso elevado endividamento externo são o corolário de políticas da III República que nunca manifestaram interesse em atacar os problemas de frente; antes preferiram iludi-los, por motivos de ganância pessoal e interesses mal informados. Ao cabo de mais de uma década de endividamento explosivo, temos de constatar que esgotámos um modelo de desenvolvimento económico; hoje é por demais manifesto que este modelo não tem qualquer virtualidade e a manutenção deste caminho apenas nos conduz a um desastre nacional. Neste quadro, a operação de resgate de que o pedido de que o pedido de assistência financeira é só o primeiro passo, permite colmatar um desequilíbrio e, sobretudo, evitar um desequilíbrio mais acentuado na zona euro. No entanto, falta criar condições de crescimento económico. Como o IDP já afirmou antes, o resgate é, sobretudo, uma operação de apoio ao euro, não directamente ao membro. Para saber o que se vai passar a seguir, temos de olhar para longe. Nos últimos 30 anos, Portugal é um dos países da Europa que mais rapidamente baixou a sua taxa de natalidade. Em 2009 era o 2º país de EU com a mais baixa taxa de fertilidade: 1.3. Em 2009 e 2010, o número de mortes superou os nascimentos. Há mais de uma década que se chama a atenção para o “Inverno” demográfico, aparentemente com escasso eco na sociedade civil e sem eco nos meios políticos. Ao contrário de outros países europeus, não existe uma política de apoio e promoção da natalidade. Em 2010 o ratio de pessoas activas/passivas foi de 1/1.5. A continuarem as tendências, em 2020 esse ratio será de 1/2 e, em 2030, terá passado para 1/2.5. Com um modelo económico esgotado, com taxas de crescimento progressivamente mais baixas, aumento do desemprego, envelhecimento da população e baixa fertilidade, aumentam os compromissos fixos e diminuem as receitas. Assim , vem o IDP denunciar que, mais do que a “armadilha da dívida”, onde as políticas de contenção e austeridade terão um efeito recessivo na economia, estamos confrontados com a diminuição do principal recurso nacional- a população – e não o queremos admitir. A nossa dívida externa bruta é hoje de +/- 230% do PIB e a líquida de quase 98%. As medidas de austeridade no quadro de um resgate permitem considerar que a nossa taxa de crescimento, nos próximos 10 anos, não deverá ser superior a 1.5% ao ano; ao mesmo tempo o serviço da dívida contraída está já próximo dos 5% do PIB. Neste cenário, as nossas capacidades de endividamento no médio e longo prazo, a 10/ 30 anos, estão seriamente limitadas quer pelo baixo potencial de crescimento da economia, quer pela limitada capacidade do seu principal activo, nós, os cidadãos. Nesse sentido, considera o IDP que a nossa capacidade para poder honrar, nos termos e nas condições que nos propusemos pagar, estará, fortemente limitada. Temos uma elevada probabilidade, a médio prazo, dentro de 4/5 anos, de estarmos a suportar uma política que não elimina a nossa dívida, e agrava as condições de podermos optimizar os nossos activos, para honrar a dívida e assegurar a sustentabilidade da economia e do país. No actual quadro do debate de ideias e por força da crise imediata em que nos encontramos, todas as atenções estão centradas nas formas de “quebrar” o círculo vicioso que nos conduziu a esta situação; no entanto, essa premência obscurece um elemento fundamental: como vamos pagar a “montanha de dívida “que acumulámos ao longo destes anos e como o vamos pagar sem nos arruinarmos. Considera o IDP que é necessário encarar com realismo a reestruturação da dívida nacional. Existem soluções estudadas para os problemas enumerados; sendo necessário tempo para as implementar, temos de partir para a reestruturação da dívida. Uma nação não é uma empresa; não pode ser desmembrada e os seus activos disponibilizados livremente; os credores da nação preferem receber uma percentagem de algo a receber a totalidade de nada e nunca “asfixiarão” o devedor ao ponto de este ficar impedido de cumprir as suas obrigações. A reestruturação de dívida soberana é um dos elementos que caracteriza a dívida; Portugal, enquanto nação autónoma, reestruturou seis vezes a dívida e, nos séc XX fizeram-no 21 países, entre os quais o Brasil. A reestruturação da dívida – nos próximos meses – é uma operação de responsabilidade do próximo Governo e implica a apresentação de um plano de como e quando iremos pagar as nossas obrigações. Porque é uma operação da responsabilidade de todos os portugueses, o IDP alerta que deve ser partilhada por todos. Democracia, crescimento e equidade só serão possíveis simultaneamente com um regime cujas soluções estejam à altura da nossa história e da nossa cultura. Lisboa, 6 de Abril de 2011 A Direcção do IDP Instituto da Democracia Portuguesa : http://www.democraciaportuguesa.org

quinta-feira, abril 14

Grécia, Portugal e Espanha

Gabao Jaime Transcrevo: """Sabem quantos países com governo socialista restam na União Europeia? Depois das eleições na Hungría e no Reino Unido só ficaram 3 países: Grécia, Portugal e Espanha. Que coincidência!!!!! Como disse Margaret Thatcher: "o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros"."""

quarta-feira, abril 13

O DESVARIO DO MOMENTO POLITICO


O DESVARIO DO MOMENTO POLITICO

09/04/11

“Defende-te Alcaide!” (Alcaide de Faria, a seu filho, antes De ser trespassado pelas lanças Castelhanas)


O desvario que grassa na classe política portuguesa no momento político actual, é bem ilustrado pelas declarações do Sr. Ministro das Finanças (MF), no dia de hoje (9/4), em Buda – este. Disse ele que o governo não tem que discutir e tentar obter consensos partidários para garantir o pedido de empréstimo que agora fez, ainda não se sabe exactamente a quem e em que termos (foi à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu, ao FMI, a mais que um, a todos?). Disse, ainda, o ministro: que a Comissão Europeia é que teria que negociar com os partidos portugueses (não especificando se um a um, se à molhada), esse compromisso partidário! O Dr. Teixeira dos Santos ou teve uma branca, ou um “lapsus lingue”, ou está nitidamente cansado física e psicologicamente – como aparenta – e necessita urgentemente de descanso e de alguma piedade politica (coisa que, aliás, não existe). Infelizmente isto é o que pode acontecer a pessoas tidas como honestas e competentes, que dão em colaborar com malabarismos e malabaristas políticos. Ficam presos a uma cacofonia discursiva prisioneira do seu labirinto e a lealdades espúrias e mal escolhidas. Há muito que o MF deve estar arrependido do buraco onde se meteu e se deixou meter mas, agora, só o tempo o irá libertar. Depois de mais de 30 anos a viver-se à tripa forra, gastando o que não se tinha, vivendo acima das possibilidades e da riqueza que produzíamos; engalanados em “direitos”universais e irreversíveis, num desbragamento e inconsciência que não lembraria a uma colónia de cigarras; cerrando os olhos e os ouvidos a qualquer conceito de prudência, de trabalho e de poupança, desregrando Princípios e fugindo aos deveres, toda a classe político/partidária e os órgãos de soberania dedicaram-se, quase em exclusividade, à luta político – demagógica de captar votos e simpatias, para se manterem ou alcançarem o poder. Mentiram e ocultaram, descaradamente, todos, sobre todas as dificuldades, desafios, consequências de decisões, etc., incluindo a realidade económico/financeira do pais, embrenharam-se de tal modo nisto que se esqueceram de governar… As poucas vozes piedosas que alertaram para a real situação, foram poucas e, de um modo geral, suaves e pouco firmes. A comunicação social foi na onda e as denúncias de escândalos (e já se perderam a conta), não colheram quaisquer consequências. O que representa a prova provada de que a Liberdade de informação, só por si, serve para muito pouco… Com o deflagrar da crise internacional, sobretudo a partir de 2008, a fuga para a frente, a auto - desculpabilização e a tentativas de responsabilizar só os outros e a falta de autoridade/vontade/capacidade para ter acções políticas corajosas e de fundo, levaram à situação actual. O percurso é conhecido e pode facilmente ser adaptado a guião de um filme de terror. Ora estes políticos, de agora em diante designados por papagaios, depois de, pelo seu baixo e incompetente comportamento terem humilhado a Nação, desqualificado o Estado e de nos porem a todos nós, ajoelhados de mão estendida a mendigar uma esmola, que ninguém sabe quando, como, e se vai conseguir pagar, ainda têm o desplante e a impudendícia, de não se quererem entender para ao menos falarem a uma voz perante o estrangeiro credor! E, para além deste comportamento lamentável, ainda se empurram mutuamente para ver quem vai fazer o quê, com quem! Como é que perante tudo isto, uma alma de Cristo, não peca por pensamentos, palavras e obras? Quem pode respeitar tal gente? O Parlamento fechou mas isso não é impeditivo das direcções dos partidos se encontrarem; o PR (que aparentemente desapareceu), sempre vai dizendo que não tem poderes, não tem poderes? Olhe desenrasque-se e faça algo em fez de se limitar a frases pias “o momento é muito difícil”, “temos que deixar as querelas”, “temos que nos unir”, que não resultam em nada e já ninguém as ouve, isto é, ouviram em Bruxelas e logo uns diligentes funcionários vieram dizer, pouco diplomaticamente, que estavam fartos de nos aturar…O senhor não sentiu vergonha? Já não lhe tinha chegado o remoque do presidente Checo? O PR diz que os partidos têm que se enten0000000015345498 0000000015345498 der, os partidos replicam que o PR tem que intervir (embora não explicitem como), etc, e agora vem o Dr. Teixeira dos Santos com a tirada – que ficará na história da inépcia política – defendendo que a Comissão Europeia é que se tem que entender com os partidos da oposição?! Apesar do desvario e do ridículo a frase (apesar de ter sido corrigida pelo Primeiro Ministro), requer mais um comentário, pela simples razão de que é muito perigosa. É perigosa porque subentende existir na cabeça do MF (e não será só ele), além de um revanchismo primário – a oposição é que criou este imbróglio, agora entendam-se – e de querer “lançar a toalha ao ringue”, uma displicência total na alienação da soberania. Isto é, ele assume – e pelos vistos defende – que os órgãos representantes do Estado, ainda eleitos pelo povo português, não são competentes para se entenderem nos compromissos políticos a adoptar (a começar no governo, e isso não tem nada com o facto de estar limitado nas actuais funções), e que tal deve ser feito directamente entre a UE – que continua a ser um actor político, juridicamente indefinido – e uns actores políticos diferenciados em partidos, que exercem a sua actividade cá no burgo! E tenho sérios motivos para pensar que estas tiradas não são delírios políticos, mas uma vontade consciente ou não, de fazer diluir o nosso país numa entidade internacional qualquer. E quando mais depressa melhor… Sem modéstia, sem diplomacia e sem receio, gostaria de dizer que a situação é muito mais grave e perigosa do que o mais avisado português possa supor; que é bonito e esperançoso dizer que Portugal já passou por muitas crises graves e também há-de superar esta – mas pode não ser verdade e terá seguramente consequências terríveis e algumas irreversibilidades – e que, finalmente, não temos à vista desarmada, nenhum alcaide de Faria que dê o alerta, mesmo correndo o perigo de ser morto, e um seu filho que se queira defender.

João José Brandão Ferreira

TCorpilav(REf.)