
Dizer alguma coisa sobre o Farense é uma tarefa difícil, sobretudo porque é falar de uma instituição que no próximo ano irá completar 100 anos!
Espero que quem de direito trate do programa comemorativo com toda a dignidade que o Farense merece!
Reconheço que não serei a pessoa mais indicada para falar do nosso clube mas espero que os verdadeiros Farenses aqui venham complementar o que aqui ficar escrito!
Para mim, o Farense começou nos idos anos 60!
Foi quando me fiz sócio, pela mão do Henrique Santos, na campanha dos 5.000 !
Comecei então a viver o Farense de uma forma activa, deslocando-me com frequência a acompanhar o clube!
Vivi a subida vertiginosa da 3ª. À 1ª. Divisão!
Lembro-me de ir comemorar a subida à 1ª. com o Sequeira, à data jogador do Farense e um outro jogador que era filho do treinador! O nome ???
Costumo dizer que sou um Farense feliz pois estive presente na maioria dos grandes feitos do nosso clube!
A convite do meu Amigo António Boronha fui vice-presidente para a área do Marketing/Publicidade!
Com a ajuda de um g

rande Farense, Joaquim Barão, conseguimos gerar verbas interessantes mas o dinheiro era sempre pouco!
Já nessa altura o deficit do Farense era preocupante!
Questionei-me muitas vezes “onde é que isto vai parar”?
O momento que mais me marcou foi sem qualquer dúvida a final da Taça de Portugal!
Nessa altura, o José Bento, convidou-me juntamente com o Joaquim Rogério e o seu irmão Vítor Bento, para gravar o Hino do farense!
Ensaiamos numa noite no Clube Farense e na noite seguinte foi a maratona de gravação na Diapasão, uma casa de comercialização de instrumentos musicais e escola de música!
Foi verdadeiramente uma maratona, mas, quanto mais cantávamos mais apetecia voltar a cantar! Já depois das 2 da manhã, o trabalho estava pronto!
A assistir à gravação estava o jornalista e Amigo Zé Mealha, que trabalhando na Rádio Clube do Sul, foi àquela hora pôr no ar em primeira mão o “Hino do Farense” e nós a ouvirmos num rádio!
Confesso que me emocionei! Ainda hoje quando oiço o nosso hino, lá vem o nó na garganta! Bem ou mal fiquei com o meu nome ligado para sempre ao Grande Farense!
Mas, no meu percurso na direcção aconteceram algumas situações caricatas!
Lembro-me num jogo contra o Porto em que para proteger o sr. Pinto da Costa, levei com uma quantidade de garrafas de água encima!
Esse senhor nesse momento elogiou a direcção do Farense pela forma como tinha resolvido os problemas surgidos, mas o que é certo é que o Estádio de S. Luís, foi interditado!
Recordo também um golo do Farense em que a bola entrou pelas malhas laterais e o árbitro validou o golo! O Alves, outro grande Farense e à data dirigente do

clube, no meio da confusão entrou em campo, foi buscar a bola e coloco-a no centro do campo...
Também não esqueço a enchente do S. Luís para um jogo que não chegou a realizar-se...
Com algum orgulho recordo que quando as tensões entre o clube e a Câmara atingiram um ponto preocupante, com cortes de relações entre pessoas, sentei à mesma mesa o meu Amigo João Botelheiro, à data Presidente da Câmara e o António Boronha Presidente do Farense! Normalizaram as coisas e o Farense lá continuou o seu percurso!
Tenho muitas mais histórias que vivi no Farense, mas não quero ser fastidioso!Outros Farenses certamente virão contar as suas histórias!
Deixo-vos a seguir um rascunho da história do Farense que no dia 1 de Abril do próximo ano atingirá a bonita idade de 100 anos!
..............................................................................................................................
Fundação
Foi em 1907 que o futebol chegou ao Algarve. A corveta “Duque de Palmela”, ancorada na Ria Formosa em Faro e na qual estava instalada uma escola de marinheiros, promoveu o futebol, modalidade já muito popularizada em Inglaterra.
O primeiro jogo de futebol improvisado foi disputado no Largo de S. Francisco, a 10 de Junho do mesmo ano, num terreno, também ele, improvisado.
Uma iniciati

va que deu ideias a João Gralho, que imaginou em 1909/1910, a criação de um clube de futebol, com equipamentos, campo, sede e sócios, que pagavam por semana uma quota de um pataco. Essa ideia foi logo apadrinhada por outros jovens farenses, que permitiram que nascesse aquele que é hoje o Sporting Clube Farense, um dos poucos clubes portugueses que nasceu ainda sob o regime monárquico, tendo sido fundado a 1 de Abril de 1910.
Dos campeonatos regionais aos nacionais
Desde a criação da primeira associação de clubes no Algarve, em 1914, que foram criados os primeiros campeonatos regionais, e o SC Farense foi o primeiro campeão regional, tendo conquistado o “Campeonato de Faro” em 1914 (prova disputada apenas uma vez e apenas com os 4 clubes da capital algarvia que constituíam a U.F.F.) e o primeiro “Campeonato do Algarve” na época de 1914/15. O SC Farense seria campeão do Algarve por mais 5 vezes até 1938.
A partir da época de 1934/35 a “Federação Portuguesa de Futebol” cria definitivamente as ligas nacionais e o SC Farense entra para a II Liga nacional, onde se mantém até 1937/38, altura em que as ligas se passam a designar “Campeonatos Nacionais” num modelo bem mais “democrático” que o anterior. Assim sendo, a partir de 1938/39 o SC Farense passa a competir no “Campeonato Nacional da 2ª Divisão” e logo no primeiro ano classificou-se em primeiro lugar da sua série. No ano seguinte, o SC Farense voltava a classificar-se em primeiro lugar da sua série, e depois nos play-off’s nacionais sagrar-se-ia pela primeira vez Campeão Nacional da 2ª Divisão na época de 1939/40. Curiosa e ironicamente o SC Farense não subiria de divisão para a tão ansiada 1ª Divisão, pois esse campeonato era restrito aos círculos de Lisboa e Porto não permitindo a entrada de outros clubes até 1941/42.
O SC Farense continuaria na 2ª Divisão, ficando por várias vezes em 1º lugar da “Zona Sul”, mas sem nunca conseguir, no entanto, sagrar-se campeão e subir de divisão.
Nas épocas de 1947/48 e 1952/53 desceria à 3ª Divisão, mas subindo logo no ano seguinte em ambos os casos. O SC Farense continuaria a sua caminhada pela 2ª Divisão com vários primeiros lugares sem nunca conseguir subir, contudo em 1965 o SC Farense entra no pior período da sua história até então, descendo à 3ª Divisão e ficando até 1968/69. Em 1969/70 o SC Farense regressa à 2ª Divisão em plena força e con

quista finalmente a tão desejada subida à 1ª Divisão Nacional.
Em 1970/71 o SC Farense competia pela primeira vez no “Campeonato Nacional da 1ª Divisão” e conseguiria nessa época ganhar em casa ao Benfica, FC Porto e Belenenses, e ainda fora ao Boavista e acabaria a época em 10º lugar. Este era o início de três décadas “douradas” do SC Farense .
O SC Farense ficaria na 1ª Divisão durante seis épocas consecutivas, até 1975/76, chegando ainda a classificar-se no 7º lugar em 1973/74.
A caminhada pela 2ª Divisão duraria até 1982/83 culminando com a conquista, pela segunda vez, do “Campeonato Nacional da 2ª Divisão”, e a partir daí o SC Farense mostrava-se determinado em se afirmar como o principal emblema do Algarve, apesar de clubes como o Olhanense e o Portimonense terem tido até então melhores carreiras pelo escalão principal do futebol.
Em 1983/84 o SC Farense regressa à 1ª Divisão e desce dois anos depois. Não fica na 2ª Divisão mais do que uma época, subindo logo a seguir. O SC Farense volta à 1ª Divisão em 1986/87, mas voltaria a descer à 2ª Divisão no ano de 1989/90. Ironicamente é nesse ano, competindo na 2ª Divisão, que o SC Farense escreve mais uma brilhante página na sua história.
Contra todas as expectativas o SC Farense chega à Final da Taça de Portugal, deixando para trás equipas como o GD Portalegrense (3-0), a UD Oliveirense (3-2), Odivelas (1-9), Esperança de Lagos (7-1), União da Madeira (0-0 e 2-0), Valonguense (4-0) e Belenenses (1-2) na meia-final. A 27 de Maio de 1990 encontra na final o Estrela da Amadora, onde empata (1-1) após prolongamento, o que obrigou a uma finalíssima oito dias mais tarde, onde perde por 2-0, a 3 de Junho.
O SC Farense tinha, no entanto, o primeiro lugar garantido no campeonato e a consequente subida, e partir de 1990/91 o SC Farense entra no melhor período de sempre, classificando-se logo em 7º lugar nesse ano, 6º lugar nas duas épocas seguintes, 9º em 1993/94 e culmina em 1994/95 com a melhor classificação de sempre, o 5º lugar no “Campeonato Nacional da 1ª Divisão” e o consequente acesso à Taça UEFA.
No ano seguinte a aventura pela Europa não durou muito, pois logo na 1ª eliminatória perdeu com o Olympique Lyonnais (0-1 e 1-0), mas foi suficiente para se afirmar definitivamente como a melhor equipa algarvia até então. Acabava de ultrapassar os mais directos rivais algarvios com a 16ª presença na 1ª Divisão (mais que qualquer outro), a presença na Taça UEFA (igualando o Portimonense) e a final da Taça de Portugal (igualando o Olhanense).
Manter-se-ia na 1ª Divisão até 2001/02 (entretanto designada “I Liga” desde 1999/00), quando entra no período mais negro da sua história, sofrendo a maior crise de sempre do clube e descendo consecutivamente de divisão três épocas seguidas, parando apenas na 3ª Divisão, mas culminando com a desclassificação em 2005/06, por ter dado 3 faltas de comparência devido a dificuldades financeiras que impediram a inscrição da equipa sénior deste ano.
Contudo, o clube renasce no ano seguinte, começando pelo patamar mais baixo do futebol, a 2ª Divisão Distrital. Nesta época de "re-estreia", o SC Farense sagra-se Campeão Distrital da 2ª Divisão.
Palmares do Farense
Taça de Portugal
45 Presenças - Melhor: Finalista em 1989/90
Campeonato Nacional da 1ª Divisão:
23 Presenças - Melhor: 5º lugar (1994/95)
Campeonato Nacional da 2ª Divisão:
36 Presenças - Títulos: 2 (1939/40, 1982/83)
Campeonato Regional do Algarve:
06 Títulos (1914/15, 1917/18, 1921/22, 1933/34, 1935/36, 1937/38)
Campeonato Distrital da AF Algarve (2ªDivisão):
01 Título (2006/07)
Taça UEFA:
1 presença (1995/96) - 2 jogos